sábado, 24 de septiembre de 2011

Más feliz que la mierda

DUMA en vivo

Reflexiones sobre la lengua

''Diante dos fatos da língua, podemos nos comportar como um juiz ou como um cientista; como um missionário ou como um antropólogo''.
Sirio Possenti
 
Aquí falarei como antropólogo, já que lamentávelmente, essa é minha profissão (NOTA: pelas dúvidas quero dizer que não estudo bichos antigos nem dinosáurio nenhum)

Uma das coisas que afasta aos homems do resto dos animais é que nós somos animais simbólicos. Isto é: A diferença dum cachorro, um gorila (seja o animal que for, sei lá) os seres humanos temos a incrível e maravilhosa capacidade de criar um universo simbôlico sobre o universo material. E ums dos materiais sígnicos e simbôlicos mais asombrosos é.... A LINGUA como sistema de signos que permite uma forma de comunicação entre individuos totalmente única no universo (pelo menos até descobrir que a cultura extraterrestre da que fala Possenti realmente exista, rsrsrs)

O languagem na especie Homo Sapiens existe desde há 250.000 anos aproximadamente. Ao longo da história existiram muitas línguas... mas nenhum falante de essas linguas em particular precissou estudar uma Gramática pra conjugar verbos ou gerar idéias. A língua existe em cada um das mentes dos falantes, mas só existe COMPLETA na sociedade como um todo. As regras gramaticais foram expostas por escrito muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito tempo depois de que as línguas existissem...

... Então, os caras que (por razões de política linguística ao interior dos Estados Nacionais) 'normativizaram' a língua tiveram que 'descobrir' as regras gramaticais entre toda a variação existente... qual é a salida mais fácil em toda esta bagunça linguística? Pegar só uma variação e descrever as regras dessa variação... claro, eles pegaram a variação linguística das elites da sociedade e cultura, descrevendo-la como 'A verdadeira lingua'. Falar de 1língua1 é confuso, porque sempre existem variações linguisticas e relações de poder entre as variações (EXEMPLO: algumas são consideradas as verdadeiras e as demais são 'as erradas').

Pensemos históricamente em termos de 'certo' ou errado'. Vou razoar desse jeito pra ver até onde legamos:

O português brasileiro é uma deformação horrível do português ''real'' de Portugal.
O português de Portugal é uma deformação horrível da língua galaicaportuguesa (escutem a língua galega, com certeza vão achar muito próxima ao português... VIDEO AQUI).
A língua galaicoportuguesa é uma deformação horrível da língua iberorromance.
A língua iberorromance é uma deformação horrível do latín vulgar, que falavam os povos conquistados pelos romanos.
O latín vulgar é uma deformação horrível do latín culto que falavam os romanos... ou seja, o latín 'de gema'...

Sim. Pra mim, pensar a língua em termos de 'certo ou errado' ... é uma loucura! As línguas estão sujeitas a mudanças o tempo todo.

Não existe o 'erro' ou 'certo' na lingua. Somente o 'adequado ou inadequado' ao contexto linguistico onde seja usada

È preciso que uma pessoa reflexione sobre sua própia variação e conheça as demais variações linguisticas pra perceber onde tem que usar uma variação e onde não debe.

EXEMPLO: O que é adequado pra um bate papo de msn com um amigo não é adequado pra escrever um exame de Advogacia cheio de termos judiciais específicos. Imaginem que vocês são professores e um aluno entrega a seguinte resposta: -Che loco, me re culiaste con la pregunta, corte que te pusiste la gorra porque dijiste que no ibas a tomar ese tema. Pero bue, te mando fruta a ver que pasa. La onda fue que esto del derecho consuetudinario es una movida que la gilada inventó allá en bla bla...

e á inversa também... Imaginem um pseudo trovador falando pra uma garota:
''Débora A. Rebagliatti, DNI 38.321.563 con domicilio en Las Pelotas 4312 Depto B, por medio del artículo 27 inciso 14 le remito por medio de la presente mis intenciones de intercambiar fluidos corporales con usted. Si fuere el caso de rechazar el pedido, el aquí firmante deja clara constancia de que irá al bar más próximo a su domicilio a embriagarse con bebidas alcohólicas junto a sus colegas del trabajo. Archívese, regístrese y notifiquese.''

Por último: A lingua é variação, mas não é 'anarquía'. A língua está associada aos grupos e a identidade, e os grupos de pessoas vão criar sempre variantes linguísticas pra se identificar e afastar-se linguísticamente de outros grupos... mas o falante tampoco tem o poder de falar como quiser... ou sim tem esse poder, mas ninguém vai entender o que ele quer significar. É o caso dos esquizofrénicos que podem legar a perder o sentido da significação ''normal'' (boto ''normal'' entre aspas porque não gosto dessa palavra mas não encontrei outra). Por exemplo: Charles Manson (Tradução aproximada: ''Do you feel blame? Are you mad? Uh, do you feel like wolf kabob roth vanagi? Gefrannis booj pooch boo jujube; bear-ramage. Jigiji geeji geeja geeble gugl. Begep flagaggle vaggle veditch-waggle bagga?'')

Em resumo: É necessario aprender a gramática normativa de uma língua? Sim! Mas com a premisa crítica de que essa gramática é criada e re-criada constantemente por políticas linguísticas, situadas numas relações de poder específicas que as vezes podem ocultar as variaçôes ou outras vezes levar conta da diversidade linguística que desprende-se da infinita diversidade e criatividade humana.
 
 POST INSPIRADO EN  LA LECTURA DE 'O PONTO DE VISTA DE MARTE', DE SIRIO POSSENTI. Click aquí para leer (en portugués, obvio)